FRED MOREIRA
A R T E S V I S U A I S
Tapete Sagrado

Exposição para o 'Seminário de Cultura Popular, Estética e Arte-Educação', Escola Guignard - UEMG
Instalação - 2011
Material: 2.000 hóstias sobe o piso
tamanho: variável
A construção deste pré-projeto, para o trabalho final da disciplina Folclore II (2º semestre 2011) adequa-se em analise e entendimento à minha pesquisa inicial titulada: "Tapetes Sagrados: Perecíveis serragens em cor", donde as festas, o profano, e o sagrado são demarcados como estrutura basal para elaboração deste novo trabalho, nomeado de 'Tapete Sagrado'. Neste, o imaginário estético desperto na construção dos ornamentos presentes nos ciclos da quaresmais ou, nas festas da Semana Santa, são propositalmente invertidos.
Em primeira instância, como observação direta à pesquisa elaborada na disciplina Folclore I, o viés das procissões era aludido pela elaboração suntuosa de tapetes compostos de serragens policromáticas, que como o próprio desígnio do objeto em questão, era destruído pelo caminhar do Clero, seguido de devotos e membros eclesiásticos, predispondo o pensamento central do sacrifício, do efêmero e a presente dualidade barroca entre o sacro e o profano. Noutro, aqui preestabelecido, fixarei no chãoduas mil hóstias, em contraponto à serragem. Se no primeiro, a utilização de material tosco prosseguiu como via para o estabelecimento do sagrado em um momento ritualístico, nesta 'inversão', o sagrado servirá de base para que a discussão sobre a efemeridade se propague.
Pelo elucidar das temáticas barrocas, a eterna luta do sagrado e do profano, no cenário da vida, em seus exageros de dramaticidade, são expressas sobre o material considerado em metáfora como o Corpus Christi, ou, a hóstia, agora referênciada como objeto efêmero, recria com um outro intuito a distinção entre os antagônicos neste palco barroco.
"Referências tanto ao efêmero (num universo religioso dominado pelo ideal da perenidade e da duração) quanto a abertura à participação popular, na contramão da rigidez e hierarquização da igreja institucional"
Nilcéa Moraleida